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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A música Na Casa das Mestras e nos Chalados, no Meiral em Canidelo de Vila Nova de Gaia

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Manifestações poéticas também acontecem em Canidelo

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Cantigas de Amor, de Amigo, de Escárnio, de Maldizer e de Bendizer foram as primeiras manifestações poéticas – trovadorescas, surgidas na idade média, nos séculos XII a XIV, em Portugal, pelo pensamento e pela mão de El-Rei D. Sancho I e D. Dinis.
Também em Canidelo existiram pela certa os Trovadores da Idade Média, os do Romantismo, do séc: XVIII e XIX e, os Trovadores/tocadores, que, levavam pela aldeia o seu amor às moças que, enclausuradas viviam nas quintas de lavoura de seus familiares e, ou não.
Existiram também os tocadores e cantores de serenata, que, à noite, pela socapa, enrolados em capas, cantavam às janelas das casas onde sabiam existir moça bonita. Isto, era por vezes motivo de grandes rixas entre os donos das casas pais das moças e os poéticos manifestadores de amores clandestinos, que, não raras vezes dava em feridos e mortos. Chegavam mesmo a existir lutas entre as casas dos vários residentes, ficando daí rancores que perduravam depois, através dos tempos. Era vulgar também a luta e o duelo por espera, onde, alguém que se queria vingar de acontecimentos anteriores, atacava de surpresa, normalmente pela calada da noite.
Esta cantiga que apresento, não da idade média mas sim da actualidade, classificaria de Cantiga de Amigo e de Bendizer e, é de velho – novo autor, com mente sã, do século XXII,
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Sou Filho de Mea Villa
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Sou filho de Mea Villa,
De Mea Villa de Gaia,
Da Gaia do Rei Ramiro,
D´el Rei Ramiro da Villa.

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Das terras de Cannidello,
Cannidello, Sant´André,
Sant´André de Cannidello,
Terras D´el Rei D. Pedro e Inês.

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D´el Rei D. Pedro e Inês,
Inês de Castro, lá do Paço.
Lá no Paço do Moiral,
Nasceu minha mãe, outra Inês.

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Inês da Mestra, do Paço,
Das Mestras do Paço, Legatária,
Legatária da Casa das Mestras e Mãe,
Minha Mãe – e Viva o Mestre.

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João da mestra



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A TERTÚLIA DOS SESSENTA
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PARTE I
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Após cinquenta anos e uns meses mais,
Daqueles saudosos serões; Saraus Musicais,
Em que tão melindres éramos nós então,
Mas que nos deliciávamos já então,
Com os famosos músicos e a música do serão;
A violino com destreza pelo Lourival tocada,
E a piano com agilidade pela Filomena acompanhada,
E não raras vezes também pela mesma cantada,
Que nos dois papeis; pianista e soprano se desdobrava:
Com presteza e vivacidade nas teclas com fervor tocava,
E com sua poderosa voz de soprano com ardor cantava.
O pai orgulhoso assistia e em silêncio sofria de alegria,
Sempre tinha sido aquela a sua ambição de dia para dia,
Conseguiu-o para sempre a partir daquele dia.
A mãe assistia com as lágrimas nos olhos enquanto a Mena cantava
E ao Lourival incessantemente lhe pedia “ toca aí uma violinada”.
A avó via ali os seus meninos agora notáveis mas crianças, sempre,
Aplicados nos estudos, famosos e célebres mas sempre, crianças,
E ao Lourival e à Mena sempre os incentivava; toquem meninos.
E a menina tocava, o menino tocava, que até já eram bem crescidos
E punham os meninos a tocar, os outros meninos, os mais pequeninos;
E meninos continuam de sessenta e setenta; A jovem tertúlia.
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PARTE II
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Assistentes eram permanentes, daqueles Saraus,
A Constança, a Inês e o pai seu, irmão do meu,
Que vinham a pé desde Coimbrões, com grandes ilusões,
Já de noite escura, era uma loucura, por entre pinhais,
Durante três quartos de hora e chegavam mesmo na hora,
Com grande ansiedade, assistiam a espectáculo, de verdade,
Ficavam radiantes em todos os instantes que viam actuar,
O primo Lourival e a prima Filomena a tocar e a cantar.
Regressavam a casa, depois de noite passada, igual como vieram,
Todo o caminho a pé, sem nunca desistir mas não a pedir.
Hoje relembram com extrema saudade aqueles saraus de variedade.
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PARTE III
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Juntam-se agora outros artistas noutros serões,
De poesia e declamações com poetas de dois tostões,
De avançada idade e já caquécticos mas andam muito frenéticos,
A escrever prosa, verso e poema e, com este estratagema,
Passam o tempo e esquecem, a dor dos joelhos pela artrose,
Da coluna pela hérnia discal e, do coração que é já habitual.
Sarau de declamação do poema, que cada um criou e dá vida,
Ali naquela casa, reunida, a tertúlia dos sessenta e dos setenta.
E, fica alegre o serão, com a Inês, a Constança e o João,
Todos eles a ler e a declamar e, a Lurdes e o Clemente,
Na assistência a atrapalhar, com apartes barulho e confusão,
A interromperem o serão. E lá segue animado,
Até há uma da manhã com barulho, a perturbarem o silêncio ao vizinho,
Que, não tardará, chama a polícia, já de caminho!
E, todos nós a recordar, coisas passadas, antigas; Já que recordar é viver.
Mas muito recordar faz sofrer.
E assim acaba o serão, c´ao lágrima no olho e dor no coração.
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Homenagem a todos os que aqui menciono e que nos deixaram já, em altura muito recente ou mais alongada. João da Mestra

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1958/59

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1959



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Florinha na janelinha
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Lá na minha aldeia,
havia uma casinha velhinha,
mesmo defronte da minha,
onde uma menininha,
logo de manhãzinha,
aparecia à janelinha;
com um rosto bonitinho,
e um lindo sorrisinho,
pronta, logo me dizia,
- bom dia,
Quando eu era um menininho.
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Os anos passaram,
a idade avançou.
A casa derrubou,
a janela acabou.
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Hoje, a menina é velhinha;
naquele lugar, na janelinha,
está lá uma florinha,
que a colocou um irmão meu,
foi um presente que me deu.
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João da mestra

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/ em1963



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* 1963
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Eu violinista e o fenómeno André Rieu
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Desde há mais de cinquenta e três anos que o meu pai preceituou que eu fosse violinista. Não teria ainda seis e já eu andava de braços no ar a segurar aquele instrumento com forma de madame desnudada e o seu anexo – o arco - na posição de o fazer vibrar e, a fazê-lo vibrar mesmo, qual Chinês que, se vêm agora a tocar as Czardas, com quatro, como que aquilo seja uma brincadeira de criança, ou como que sejam robôs a baterias de energia solar, porque uma vez iniciarem a tocar nunca mais param.
O professor que tinha lá em casa era exigentíssimo e não dava permissão de eu baixar os braços a desleixar aquela posição de violinista diligente. Com o violino bem levantado, o braço e mão esquerda responsável por tal segurando-o bem seguro, bem no ar, enquanto que, com o braço direito fazia os movimentos de vai e vem com aquela comprida vara recta, onde, nas pontas prendiam as cerdas – elaboradas a partir de crina de cavalo –, (mas não tinham cheiro) a que se denominou de Arco. Com cotovelo dobrado, em baixo mas sem encostar ao corpo, o braço meio levantado, mais parecia um carpinteiro de serrote na mão a cortar o violino ao meio que, até rangia. Eu em um todo, numa posição bem vertical, erecto de Homo Sapiens, - foi há muitos anos mas já tínhamos saído da idade primitiva -, ali ficava a fazer rinchar aquelas quatro cordas de metal, que, para os sons saírem limpos era necessário pisa-las bem forte com a ponta dos dedos, o que era por de mais doloroso. Diga lá quem de direito se isto não é uma tortura. Pois, eu a praticava todos os dias e por várias horas. E, nunca obtive alforria nem me atrevia a pedi-la. Foi assim até aos dezasseis, obrigatoriamente. A partir dali foi voluntariamente.
Desde essa altura ouvia que, na música em Portugal não havia futuro, que era impossível viver-se da música, que Portugal era um país atrasado em musicalidade, - ouvia-se, bem entendido, à socapa, que, dizer isto era subversão. Mas, eu é que não obtinha a tal carta que me poderia libertar. Ser músico, de facto, naqueles tempos, seria somente por cultura geral, já que, para se ganhar o sustento seria pior que qualquer outra profissão. E, lá continuei eu a estudar para… o meu futuro…, sem futuro. Eu refiro-me sempre á música clássica, daí o futuro sem futuro, que, aqueles que profissionais o eram estavam votados, primeiro, por um país e um sistema que olhava pouco para esta Arte e, depois por uma mudança que ninguém sonhava, que, deu governos que só menosprezaram e achincalharam os músicos clássicos. Ninguém sonhava que iam acontecer aquelas mudanças, muito menos eu, criança, que, a única forma que tinha para me revoltar era… tocar violino, quer quisesse quer não.
Substancialmente diferente, foi, na realidade, o que se verificou passados uns anos; há cerca de uma vintena: O futuro dos músicos aí ficou arrasado quando os inteligentíssimos governantes de então mandaram encerrar a Orquestra Sinfónica do Porto e mais tarde a Orquestra Sinfónica de Lisboa, mandando todos aqueles profissionais – mais de cento e … (?) - para casa, - para a prateleira, como diziam – para convocarem, qual jogadores de futebol, com ordenados a quadruplicar, outros tantos músicos de toda a Europa, escolhidos a dedo, para se formar uma nova orquestra, de raiz, … porque, … porque o dinheiro para lhes pagar não era nosso, era de subsídios. Acabado que foi o subsídio, acabou a nova orquestra. Entretanto, alguns dos instrumentistas Portugueses faleceram, quasi de imediato, até por colapsos cardíacos.
Que rico, maravilhoso e opulento futuro me esperava, continuasse eu a fazer rinchar e vibrar o violino que nem Chinês que, agora quem vibraria e rincharia, era eu, que nem Português.
Surgiram imensas novas escolas estatais de música em Portugal e, agora não é necessário aprender em casa, como outrora. O ensino da música, nas suas bases, passou a ser leccionado também nas escolas secundárias e, após estas, poder-se-á optar pelos conservatórios de música ou pelas escolas profissionais.
Mas, para fazer mudar a mentalidade das massas ou para a mudança de uma determinada questão, nada como os fenómenos e, aqui, como no futebol, quando surge, como surgiu, um Cristiano Ronaldo, logo todos se lhe seguem (tentaram seguir) as pisadas, inscrevendo-se em clubes e em escolas de futebol – era a febre do Ronaldismo, que, não do Cristianismo (!) Também, presentemente, acontece um fenómeno em Portugal, importado como sempre, este, dos bons fenómenos e das boas importações, para bem da música denominada de clássica; André Rieu.
Este famoso Violista – André Rieu - e a sua orquestra, assim como os excepcionais instrumentistas, coros e as vozes – como os famosos tenores e sopranos – todos os inúmeros convidados, - fez mudar ou, está a fazer mudar a mentalidade e a postura que os jovens e todo um povo, no nosso país, tinha ou tem perante a música clássica e, o mais importante, veio dar razão que, as orquestras são para manter, não para encerrar.
É fantástico assistir a estes Gloriosos concertos, que, tenho assistido por DVD, já que, quase impossível é assistir ao vivo – porque não vem a Portugal e, se vier, imagino o preço (?) dos bilhetes e o número de pretendentes ao espectáculo.
São um sem número de fantásticos – assombrosos - extraordinários instrumentistas; um sem número de maravilhosos personagens; um sem número de ilustres autênticos que mais parecem irreais, convidados; conduzidos por um admirável violinista – André Rieu.
Do lado de lá, naqueles impressionantes concertos, estão outros tão fantásticos intervenientes como os primeiros, - que cantam, que riem, que dançam ou, não fossem as valsas e as polcas para dançar, que demonstram uma alegria fantástica, que choram de alegria/ emoção, que vibram sem preconceitos, protocolos e etiquetas; do lado de lá é outro espectáculo com outros artistas.
Oxalá que Portugal mude e os nossos governantes também, no que toca ao tratamento que dão aos instrumentistas das orquestras e da música clássica, para que os jovens não desistam de a aprenderem conforme eu desisti.
Agora, resta-me ver e ouvir André Rieu ao pequeno-almoço, almoço e ao jantar, ao levantar e ao deitar e, nos intervalos.
VIVA A MÚSICA CLÁSSICA – assim ouvia eu no final de todos os concertos da Orquestra Sinfónica do Porto a que ia assistir ao Rivoli, quando ainda jovem, por alguém que EXTASIADO, EXTASIADÍSSIMO, clamava a plenos pulmões do meio da plateia. E não era a orquestra de André Rieu que tocava, era a nossa tão querida, extinta que foi pelos políticos, Orquestra Sinfónica do Porto.
Pois então, VIVA A MÚSICA CLÁSSICA, VIVA A EXTINTA ORQUESTRA SINFÓNICA DO PORTO e os instrumentistas que a compuseram. Paz á alma dos que faleceram na maior das desilusões.
ABAIXO OS POLÍTICOS QUE DESTROEM AQUILO QUE TEMOS DE BELO
Faço homenagem aos educadores e professores de música que tive, pelo seu esforço, compreensão e dedicação para comigo; Ao professor e distinto compositor e maestro César de Morais que me introduziu no coro da sua orquestra de música sacra. Aos meus dois irmãos mais velhos, distintos profissionais músicos que, no seu tempo de descanso após chegarem a casa de um longo dia de trabalho e estudo no Conservatório de Música do Porto, diariamente me ensinavam: violino - o irmão violinista e, piano e solfejo - a irmã pianista e coralista – soprano.
Ao meu pai, que, com um enorme esforço, sempre idealizou para mim a distinta profissão de músico, - conforme para meus irmãos – e, a Arte de ser violinista, até ao dia em que viu, impotente, ao seu filho - meu irmão - já formado em violino, ser-lhe, por imposição de um sistema ditatorial, trocado o violino por uma Mauser e, enviado para a guerra em Angola e, uns anos mais tarde, o ver desempregado, causado por uma bestialidade política: Diferença de mentalidades com todos os países da Europa, incluído o país de André Rieu, comparada com a mentalidade tacanha que nem da idade média, de quem deveria de ter a cultura suficiente para saber, que, a cultura de um Povo faz falta; também a cultura no campo musical.
Muito obrigado.
VIVA A MÚSICA CLÁSSICA – VIVA AS ORQUESTRAS NACIONAIS PRESENTES - VIVA A ORQUESTRA DE ANDRÉ RIEU
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João da mestra

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DE PIANO E VIOLINO PARA A GUITARRA;
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1965/6
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>>>>Primeiro, iniciei a tocar em viola de caixa ou violão clássico, a música clássica. Depois, dediquei-me á música ligeira e de baile, em guitarra eléctrica.
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CONJUNTO SOL NASCENTE

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Em 1965 integrei o Conjunto Sol Nascente, onde, cerca de dois anos, participei em vários espectáculos musicais, tardes e noites dançantes e variedades. Foram diversas as colectividades de Vila Nova de Gaia e não só, onde actuei, conjuntamente com os quatro outros elementos.
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ESPECTÁCULOS DE BENEFICÊNCIA A FAVOR DA CONFERÊNCIA DE S. VICENTE DE PAULO DE CANIDELO, REALIZADOS NA ASSOCIAÇÃO RECREATIVA DE CANIDELO - CLUBE DOS CHALADOS - EM 1963 E 1965
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A apetência para a música, através de muitos e variados instrumentos, que, cada criança ou adolescente se dispunha a aprender durante um ano inteiro, para, no mês de Setembro de cada ano demonstrar no espectáculo a favor da Conferência de S. Vicente de Paulo, aquilo que se propunha executar, era de elevado grau de execução para a idade.
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A iniciação na récita, na declamação, no teatro infantil, praticou-se durante alguns anos por várias crianças de Canidelo. Levadas pela mão de pessoas que, com uma dedicação extremosa, ensaiavam horas e dias a fio todas aquelas pequenas e pequenos grandes artistas.
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A combinação da música instrumental individual ou em conjunto, dos enormes coros, das récitas, da declamação, levavam ao mais alto nível os espectáculos, infantil, realizados entre os anos de 1963 e 1966 naquelas instalações do Clube dos Chalados, já tradicional em espectáculos de tal natureza desde longas décadas.
*A
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Espectáculo infantil de benemerência realizado na Associação Recreativa de Canidelo - (Clube os Chalados)

Assim se ocupavam as crianças dos lugares de Meiral, Verdinho, Quatro Caminhos, Rua da Bélgica, Fonte lodosa, Barracões, Canastreiras, enfim, de toda a freguesia de Canidelo.

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em 1963



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em 1966


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majosilveiro

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

MEIRAL OU PAÇO DE CANIDELO GAIA - JARDIM E CRUZEIRO DO PAÇO - SANTUÁRIO DE SCHOENSTATT - CASA DAS MESTRAS - QUINTA DO PAÇO

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MEIRAL OU PAÇO DE CANIDELO - GAIA



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JARDIM E CRUZEIRO DO PAÇO DO MEIRAL

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Oleiros, Escultores e Artistas da Minha Terra
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Sou natural de Gaia,
Terra muito importante,
Por famosos escultores,
Ceramistas, modeladores,
Que ao mundo deram Arte.
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E, para iniciar cito,
Aqui, o meu Avô,
João Queirós Monteiro,
Importante e grande oleiro,
Que muito novo morreu,
Mas que muita Arte deu,
Ao povo e a plebeu,
De louça de barro, grés.
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Porque hoje eu tenho horror,
Dos que lhe dão pontapés,
Guardo com muito Amor,
A Arte daquele escultor.
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E se de Oleiro sou neto,
Bisneto sou, do Oleiro,
António Queirós Monteiro.
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E cinco gerações vão já,
Desde o meu trisavô,
Bernardo Queirós Monteiro.
Ele também foi Oleiro.
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Mea Vila de Gaya,
Eu te tenho muita honra,
Porque de Gaia eu sou:
Porque desde remotos reinados,
Como o de Maria segunda,
E desde os tempos da lenda,
Do romance de Garret,
Que seu génio celebrizou.
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Dever é meu, estudar teus usos,
E costumes e, registar, Aqui;
As figuras que nasceram, Aqui,
E a Arte que deram, Aqui;
A esta Mea Vila de Gaya,
Que hoje também evoco, Aqui:
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Os que o escopro manejaram,
Os que a cerâmica cozeram.
Os que a grés trabalharam,
Os que o barro moldaram.
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Desde o grande escultor,
Ao génio modelador,
Passando p´los humildes “Oleiro”,
João Queirós Monteiro,
António Queirós Monteiro,
Bernardo Queirós Monteiro.
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Oleiros tradicionalistas,
Foram humildes barristas,
Do Candal, em Santa Marinha,
Que lhe davam a matéria prima,
Nas saibreiras e barreiras.
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AH! História, quantos valores,
Nesta terra de escultores,
Deixas-te de registar?
Quantos nomes esquecidos,
E também ignorados,
Que não tiveram a sorte,
De a ninguém mais lembrar?
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E porque nos livros deveriam estar,
Presentes e não estão,
Hoje lanço á confusão,
De com importantes misturar,
Os humildes, que, presentes estão,
Mas dentro do meu coração;
E todos misturados são:
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Bernardo Queirós Monteiro - meu trisavô N. Canidelo
António Queirós Monteiro - meu bisavô N. Canidelo
João Queirós Monteiro - n. 1884 -meu avô N. Canidelo
Alfredo Ferreira da Silva - meu bisavô - N. Canidelo
António Soares dos Reis, - n. 1847 N. Mafamude
António Alves de Sousa, f. 1922 N. Vil. Andorinho
Augusto Santo, n. 1868 N. Gaia
Fernandes de Sá, n. 1874 N. Avintes
José Joaquim Teixeira Lopes n.1837 – Mestre Teixeira Lopes
Manuel Teixeira Lopes n. 1907 - Sobrinho do Mestre T. L.
António Teixeira Lopes - Filho do Mestre T. L.
José Teixeira Lopes n. 1872 – Filho do Mestre T. L.
Adolfo Marques, pai n. 1861 - N. Avintes
Adolfo Marques, filho n. 1894 - N. Avintes
António de Azevedo n. 1889 N. Mafamude
Carlos Meireles n.1889 discípulo de Teixeira Lopes
Diogo de Macedo n.1889 discípulo de Teixeira Lopes
Eduardo Tavares n. 1918 obteve o prémio T. Lopes
Henrique Moreira n. 1890 aluno de A.Teixeira Lopes
Joaquim Fernandes Gomes n. 1896 N. Oliv. Douro
Joaquim Meireles n. 1879 trabalhou na ofic. Teix. Lop.
José de Sá Lemos n. 1892 discípulo de Teixeira Lopes
Manuel Pereira da Silva n. 1920 N. Avintes
Oliveira Ferreira n.1883 disc. e trab. Of. Teix. Lopes
Pereira dos Santos n.1902 N. Oliv. Douro
Rudolfo Pinto do Couto n. 1888
Sousa Caldas n. 1894
Zeferino Couto n. 1890 N. Olival - Gaia
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E dos populares Oleiros:
Domingos Alves de Oliveira – Santa Marinha - n-1672
Pai de Domingos Alves de Oliveira
Avô de Domingos Alves de Oliveira
José Fernandes Caldas, n. 1866
João de Alfonseca Lapa, n. sec XX – Santeiro
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Todos eles modeladores,
Do barro, do grés, da terracota.
De Gaia todos foram artistas,
De Oleiro, grandes malabaristas.
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Do barro nasceram os barristas,
Gaia, Império foi da Arte
Popular, sempre em ascensão;
O Bernardo, o António e o João.
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E só hoje investiguei,
Só hoje o descobri,
Mas de imediato aqui lavrei,
Aquilo que só agora sei,
O que nunca em outra terra vi:
Em Sant André de Cannydello,
Em meados de oitocentos,
Todo o homem era Oleiro.
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E faço mais uma homenagem,
Desta, Alfredo Ferreira da Silva,
Qu´era do Paço do Moiral.
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A sua arte era a Arte,
Que em Canidelo evoluiu,
Que de Canidelo saiu.
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Na arte da olearia,
Ele manuseou o barro,
Ele fabricou poteria.
Ele coseu a grés,
E fez estatuaria.
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Com terra, terracota,
Amassada, manuseada,
Rodada no rodapé,
Com rodapé rodada.
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Só hoje investiguei,
Só hoje descobri,
Santo André de Canidelo,
Deu Arte ao mundo inteiro.
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No Paço do Moiral,
Por terras de Canidelo,
Existiu um Bisavô,
Ele também foi oleiro,
Da época d’ oitocentos;
Da minha mãe foi Avô,
Foi o pai do meu avô.
*
João da mestra


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AS CEREJAS
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Cerejas amarelas, vermelhas, claras, escuras, castanhas, cor de fogo rubro e do ferro quando aquecido. Cereja preta, cereja brava, cereja purga, cereja negra, cereja de saco ou sem saco; são imensas as espécies de cerejas mas, na minha aldeia é quase nula a produção de cereja. Não me recordo de na minha aldeia ver qualquer tipo de cerejas penduradas nas cerejeiras, sua mãe, ou de ver cerejais que, é o lugar onde nascem, crescem e se produzem as cerejeiras, nem tão pouco me recordo de ver tal árvore ou aglomerado de árvores - os cerejais, lá na minha aldeia.
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Lá na minha aldeia, existem isso sim, os motivos; as pessoas, a vivência, os hábitos, os costumes, os lugares tradicionais e rústicos, os povos que sempre foram aprisionados à terra - os nativos e, aqueles que nunca o foram mas que nos fins das suas vidas, quando chega a idade da velhice, da reforma, sempre voltam. Os artesãos, os rústicos, os homens da terra e os donos das terras, as profissões exercidas por Valentes homens e Valentes mulheres e, os malabaristas. A paisagem bela ou esplendidamente bela, bucólica, tranquila, mas, também os lugares de frenesim, de movimento; as praias, o campo, os pinhais, o rio, o areal, o mar e tudo o mais que dão origem e são a origem das conversas, que são exactamente como as cerejas; quando uma vez agarradas e puxadas nunca mais param de surgir, de aparecer, de lembrar, de contar, de falar, de comentar, de escrever.
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Exactamente como as cerejas, são agora as conversas: conversas amarelas, vermelhas, claras, escuras, castanhas, cor de fogo rubro e do ferro quando aquecido. Conversas pretas, conversas bravas e purga. Conversas negras, conversas de caixão à cova, conversas sem caixão mas de faca e alguidar; são de imensa ordem as conversas que, exactamente são como as cerejas.
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Uma das razões a que exactamente esta “conversa” se deve é que após terminada a “conversa da história” do senhor I. S. e as suas “conversas - histórias,” mencionadas na minha “conversa história de vida” e que foram origem de muitas conversas com o mesmo, logo me surgiram, outras, que não foram contadas e, como “vem a talho de foice” , dizer que “as conversas são como as cerejas”, dois termos usados frequentemente pelo amigo de longa data e, quase familiar por afinidade mas, familiar mesmo pelo coração, que é o meu interlocutor, ou neste caso, lhe deveria chamar de entrevistado, abri este tema das cerejas.
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Acrescento o que não contei; que o seu padrinho de boa memória, Senhor Manuel, já não entre nós, foi a primeira pessoa que comigo conversou e que me deu a primeira lição de Literatura e de Antologia de Autores Portugueses, fazendo-me compreender que aqueles que eu estudava na escola nocturna, no quarto ano da disciplina de Português, eram os que o regime de Salazar permitia. Pura e simplesmente só esses. Os outros, desconhecidos porque contra o regime estavam, ou eram, ou porque de cor desbotada, eram esquecidos e ficavam fora do ensino, também fora do ciclo comercial e, até fora do país. Autores esses que ele me citou e que alguns deles vieram a ser introduzidos no ensino, outros, que eu nunca mais deles ouvi falar.
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A segunda razão de recordar o Senhor I. S. que, repetia constantemente “vindo a talho de foice” ou que “as conversas são como as cerejas” é que esta minha história de vida é “uma conversa” com muitos contos no seu seio, que está sempre em movimento expansionista; é um campo de cerejas - um cerejal ligado pelos ramos onde uma vez puxada uma cereja se esvazia essa cerejeira e depois outra e outra até o cerejal ficar desbastado mas, eis que outra época sazonal chega e uma nova série de escritos surge com novas histórias, novos contos, novos temas, novos capítulos - renovações de cerejais com ampliações de cerejeiras para renovações e ampliações de novas histórias e de novos contos que vão dar uma nova vida ao principal conto e, uma mais vasta história de vida surge, que mais não terá fim.
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Conto mil histórias numa só história:
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Uma história com cinquenta e oito anos de vida e, os cinquenta e oito anos de vida revividos numa só história.
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Que esta história, de para já uma curta vida, tem custado um preço muito elevado, isso tem; São já muitos milhares de horas sentado ao computador a escrever, a compor, que se fossem em um automóvel a conduzir representariam muitos milhares de quilómetros. Afirmo portanto que, esta história de vida tem já milhares de quilómetros, milhares de horas, muitas centenas de semanas, longos meses, mais de dois anos; imensas noites de raciocínio acordado, de vigília e, muitos grandes mares de água salgada que correm, que encheriam um Oceano.
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É a epopeia da minha família e a minha também.
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“São mares salgados cujo muito desse sal são as lágrimas de um cerejal”-
*
- A família Pinto da Silva
* * * * * * * Queirós Monteiro


Homenagem a I..........S....... – Salve 12 de Abril de 2010
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João da mestra*
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Casa das mestras
> > > > > > > > >...também, agora, Casa das Sementes, pelo presente negócio de sementes, artigos para jardinagem, lavoura e comida para aves e animais.

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Santuário de Nossa Senhora de Schoenstatt
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Quinta do Paço -, entrada secular pelo Meiral também chamado de Paço



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VIDA ANIMAL

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Afinal, quem é o animal ?
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Senhoras e Senhores,
Jovens meninas e meninos,
Menos jovens, velhos e divorciados,
Solteiras, solteiros ou casados,
Todos os namorados,
Em geral, tod´ a população:
Tomem bo´ atenção,
E, melhor pensem, pois então;
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Se pretendem animal adoptar,
E algum pr´a casa levar,
Doméstico ou d´estimação,
Isso vai ser uma grande prisão.
Perderá sua liberdade,
E também sua privacidade.
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Eu vos estou à´visar,
P`ra que depois não os venham à´bandonar;
Pata, pato, ou garnizé,
Galinha, galo, ou chimpanzé,
Gata, gato, ou leopardo,
Cão, cãozinho, ou cãozarrão,
De raça todos eles são.
*
Pomba , pombo, ou rola,
Caturra, pega ou papagaio,
Todos servem pr´a satisfazer o catraio,
Ou p´ra sua satisfação.
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Não o faça por nenhuma razão,
Porque quando de férias for,
Não haverá nenhum estupor,
Que lhos tome conta por favor
E, ficarem sozinhos em casa,
Isso não vai poder acontecer;
Se for par´ abandonar,
Mais vale então não adoptar.
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É muito fácil na loja os comprar,
É muito fácil p´ra casa os levar,
É muito fácil adoptar,
Mas, depois no próximo Verão,
Logo todos os bichos irão,
Pela porta fora, toc´andar,
Uma grande volta irão dar;
Serão postos “a passear”,
Você QUE OS ADOPTOU,
Agora os irá abandonar,
Então p´ra que os foi adoptar?
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ISSO É CRIME, BOMBÁSTICO,
NÃO SABIA QUE NÃO SÃO DE PLÁSTICO?

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majosilveiro

domingo, 26 de dezembro de 2010

VISO, CANIDELO - GAIA ; Viso e a sua escola


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O Viso, será, possivelmente, a zona mais antiga da freguesia de Canidelo.


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Ruas antigas agora empedradas, mas, em séculos anteriores em terra batida e cobertas de mato - conforme o eram nas aldeias onde se praticava a lavoura, no Norte de Portugal - seriam as ruas da aldeia de Canidelo nos séculos de antanho.
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Em Canidelo a agricultura era vulgarizada, sendo a principal actividade económica até muito recentemente. Ainda conheci imensas quintas e lavradores onde se praticou agricultura, até há cerca de trinta e poucos mais anos. Entre eles, algumas das que me recordo, que vi e que permaneci vendo, ainda em plena laboração: Senhores Queirós, Coimbra, Ricos olhos, Quinta das Eras, todos de alumiara. Quinta dos Limas e dos Brandões em Lavadores. Quinta do Paço e quinta do Fojo, naqueles respectivos lugares. Na quinta do Moínho. Lógico que, para além destas quintas, existiam muitos pequenos ou médios agricultores, nos seus lugares com suas terras próprias, como os Bessas, os Araújas, os Feijoeiras, os Bragas, as Bendeiras, nos terrenos da casa do Padre, nos Vendas, nos do Cravo e, tantas são, que, a memória pela certa mais recordará, mas, será fora de tempo. Estão descritas memórias, sobre este facto, desde há cerca de dois anos, no guião, que, pretendo venha a ser livro.
Este local de Canidelo - Viso -, pela certa não fugirá á regra daquilo que foi a economia de Canidelo até ao século anterior.


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Meia volta… pelas pedras do Viso
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Pelas pedras da calçada,
Fui procurar minha amada,
Fartei-me de caminhar,
Sem nunca a encontrar.
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Diz-me meu amor, onde estás?
Não jogues à cabra cega.
Já pisei tanta irregular pedra,
E não vejo a que me eleva.
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Gostaria de te ver,
Antes de partir, de morrer,
Lá no céu, será complicado,
De veres tu o teu amado.
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Dei meia volta, mais meia volta,
Naquelas ruas estreitas,
De Canidelo, do Viso,
Mas.., será que não tenho juízo?
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Partiu para bem longe,
Fugiu a sete léguas,
Este amado era bem louco,
Louco será muito pouco.
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E assim terminou o amor,
Da fada morena Árabe,
Com o fidalgo da Mouraria,
Que morreu em cobardia.
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João da mestra


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ESCOLA PRIMÁRIA DO VISO


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A Escola Primária do Viso, escola tipo da época do Estado Novo e da Repartição dos Edifícios Escolares do Norte, desconheço o seu autor da arquitetura e será de mil Novecentos e Sessenta a sua construção.
Esta é a escola primária dos mais novos á minha geração.


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Aos alunos da escola do Viso
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Escola primária, a primeira,
Para muitos, também, derradeira,
Escola primeira e primária,
Naqueles tempos, única, válida.
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Escola primária do Viso;
Meninas e meninos com juízo,
Ali estudaram e brincaram,
Logo de seguida trabalharam.
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Alguns por Canidelo ficaram,
Outros par´a cidade evoluíram,
Mas, muitos se desgastaram,
No estrangeiro, p´ra onde partiram.
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Mas, quando à terra voltaram,
Com a saudade, carregados,
Visitar a escola do Viso foram,
E se sentiram amparados.
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Logo partiram, nova jornada,
Família ficou, desamparada,
Distância vencida, labuta inicia,
Renovada saudade principia.
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Meninas e meninos de Canidelo,
Que na escola do Viso cursaram,
Não mais esqueceram o esplendor,
Das lições que receberam com amor.
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E, hoje, respeitam aquele lugar,
Lá se dirigindo como a um altar,
Como crianças que ainda são;
Com a esperança no coração,
De lá verem seus netos cursar,
Com igual veneração.
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João da mestra


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