sábado, 21 de agosto de 2010

MANOEL MARQUES GOMES - ESCOLA E PALACETE; EDIFÍCIOS - O ANTIGO E O MODERNO; NOSSA SENHORA DOS CAMINHOS: ALMEARA OU ALUMIARA EM CANIDELO DE GAIA

ALUMIARA OU ALMEARA

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DA FREGUESIA DE CANIDELO

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VILA NOVA DE GAIA



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ALMEARA TERRA ÁRABE
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Almeara terra Árabe,
Onde vivi em tenra idade,
Era o ano de Cinquenta e Três,
Caminhava eu para três.
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De lá, saí feitos os seis,
Recordo-a agora de cada vez,
Razão porquê eu não sei,
Mas toda a vida a amei.
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Almeara de origem Moura,
Muito brinquei em tuas ruas,
Saudades tenho hoje tuas,
Por isso te visito amiúde.


Joãodamestra

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NOSSA SENHORA DOS CAMINHOS



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Nossa Senhora dos Caminhos


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Nossa Senhora dos Caminhos,
Dai-nos alguns melhorezinhos;


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Pedi aos senhores Presidentes,
Para fazer lá uns jeitinhos;
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Para melhores estradas dar,
A todos os residentes;
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Não é só a beira-mar,
Que merece tais presentes.


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Nossa Senhora dos Caminhos,
Dai-nos alguns melhorezinhos;
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Dai-nos novas avenidas,
Pois, não serão para corridas;
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Dai-nos algumas Boullevard,
Que estamos a precisar;
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Dai-nos ruas mais direitas,
E, um pouco menos estreitas;
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E já agora, com menos buracos,
ra não andar-mos aqui aos saltos.
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João da mestra

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A Rua António Ferreira Braga Júnior liga a Rua da Bélgica ao Paniceiro. Antigamente era ladeada, de um lado pela antiga fábrica têxtil de Alumiara e do outro pelos extensos terrenos agrícolas do Senhor Manoel Vielas, que conheci ainda, com os seus enormes bigodes de pessoa muito respeitável e respeitadora. Agora com novos edifícios, que, quintas agrícolas não são necessárias; importa-se da Europa os artigos sobejados e ressequidos, dependendo ainda mais a nossa economia do estrangeiro e pesando mais a nossa balança. Também não será necessário agricultura, não há desemprego em Portugal e de comer também não haverá em breve. Aí..., voltará a agricultura de subsistência.
Esta rua que deriva daquela que nos leva às praias de Lavadores, - a Rua da Bélgica - , desvia-nos para as praias mais a sul; de Salgueiros e Canide e, depois pela marginal sul. É a rua que nos leva à nossa Junta de Freguesia e às Chouselas que já expus mais para diante.



Nossa Senhora dos Caminhos

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ESCOLA MANOEL MARQUES GOMES


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A minha escola primária, Manoel Marques Gomes, infelizmente já lá não está para poder fotografa-la conforme outros edifícios fotografei. Esta foto foi a única que consegui arranjar e foi cedida pelo Exmº Presidente da Junta de Freguesia de Canidelo. Agradeço a quem poder dispor de alguma fotografia, esteja ela em que estado estiver.

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OS LIVROS

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Os livros,
São relíquias do passado,
São recordações,
São amigos sempre presentes,
Indiferentes,
Às horas normais ou tardias.



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O Livro,
É aquele amigo,
Com quem se pode sempre contar,
Sem nunca nos rejeitar,
Sem uma palavra p´ra nos desgostar.
Sem nunca deixar de nos amar.
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São os nossos melhores amigos,
Os livros.
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Começo a pensar e logo os vou procurar,
Aqueles livros da escola primária,
-Foram a minha alegria e de toda a criança, -
Lá na escola Manoel Marques Gomes.
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Guardo-os, da primeira até à quarta,
Com amor e afeição,
São a grande recordação,
Dos professores que tive de então,
Que diariamente me davam a lição.



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Há…, professores meus,
Eu Vos louvo porque me souberam dar,
A lição p´ra vida
Que eu soube registar.
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Escola Manoel Marques Gomes,
Que alguém mandou arrasar,
Isto é de lamentar,
Ofenderem toda uma população,
Que ali recebeu educação.
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Nota: Estão por responsabilizar as personalidades que mandaram destruir aquela escola que, foi doada às crianças de Canidelo, quais os interesses que serviu e de quem se serviu desse interesse.


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Joãodamestra





Antiga escola que foi uma doação de Manoel Marques Gomes e que os professores daquela ensinaram todos os alunos a estimar e respeitar, conforme, assim como, ao seu benemérito - foi mandada destruir, possivelmente por quem nunca a frequentou ou..., não aprendeu a lição. E, será que algum dia esse responsável a irá aprender. É necessário saber quem, para actuar.
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Os mais antigos,


os menos antigos,


os novos


e os velhos


edifícios em Aluimiara





Casa dos Arcos




Casa das Heras




Novos edifícios na antiga quinta do Vielas




Antiga casa do Lagoa


O que ainda resta da fábrica de têxtil de Alumiara, popularmente denominada fábrica da assubida. O que está destinado para este antiquíssimo edifício está ainda no segredo dos deuses ou dos Anjos das Alminhas que ficam logo ali encrostadas quem vira a esquina. Vamos lá a ver se não irá ter o mesmo destino que teve toda a fábrica - camartelo - e se juntamente vão também aquelas Alminhas a que já dediquei uma página e que está a seguir.



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PALACETE MANOEL MARQUES GOMES

by majosilveiro


Residi a poucos metros deste palacete, a partir de 1953;

“Palacete Marques Gomes”, na freguesia de Canidelo – Vila Nova de Gaia, no lugar de Alumiara.
Defronte, ficava a quinta de Fontão e entre ambos, a estrada que segue para a freguesia da Afurada.
Tive a sorte de o conhecer absolutamente intacto, em condições perfeitas de habitabilidade, que o foi até cerca de 1980.
Nos anos 60 estive lá dentro numa festa de casamento, com banquete, com cerca de trezentas pessoas.
Brincava frequentemente naquela avenida central, onde imperavam imponentes palmeiras e outra imensa vegetação tropical, que, “reza a história, da voz do povo”, veio do Brasil a mando do seu primitivo proprietário e construtor.
Entre 1966 e 1969 fiz parte de um agrupamento musical (conjunto Sol Nascente) – extinto – que, semanalmente, aos sábados à noite e domingos de tarde, lá tocava para os bailes de quermesse do Clube Recreativo de Alumiara.
Era fantástico de bonito este palacete, com suas linhas de uma arquitectura vistosa, com sua traça de estilo, com seus jardins lindíssimos e com uma frondosa floresta rica em exemplares de botânica Tropical.
Como gostaria que estivesse como o conheci.
Dá pena da forma como está agora.
Era o Ex-Líbris desta Freguesia de Santo André de Canidelo.
Como se não bastasse a freguesia ficar sem este magnífico monumento, porque se encontra em estado absolutamente degradado, diria, em ruína absoluta, o mesmo veio a acontecer a um outro palacete, situado logo abaixo uns mil metros, numa quinta sobranceira ao rio Douro, à face da estrada e já a pouca distância da Afurada, da marginal e da antiga fábrica conserveira.
Estas duas quintas, unidas, ocupam uma vasta área de floresta, que, embora já um pouca desbastada para a abertura de novos arruamentos e para o alargamento dos antigos, vai desde os limites da freguesia da Afurada até ao chamado bico do cabedelo, ou seja, o estuário do Douro e, é o pulmão, - o grande pulmão, ou o único pulmão, - daquela belíssima terra – Canidelo – à beira-mar plantada.
by majosilveiro

http://www.panoramio.com/photo/14860053
http://static.panoramio.com/photos/original/14859864.jpg
by majosilveiro

Foto Panoramio FOTOGRAFIA DE BaLaSBulletS http://www.panoramio.com/photo/19590476

Pode ver ou ter uma ideia como era.
Visite; consulte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_de_Marques_Gomes
http://www.canidelo.net/patrim2.htm
http://www.50espacos.campoaberto.org/espacos/lista/fichas/gaia/canidelo/65/ficha_html/ficha.html



MANOEL MARQUES GOMES
http://www.panoramio.com/photo/15312056

by majosilveiro

Regressado do Brasil, onde fez fortuna, Manoel Marques Gomes doou terreno e construiu a escola primária feminina e masculina para a freguesia de Canidelo; doou terreno para o Campo de futebol do Sport Club de Canidelo, doou o terreno para o apeadeiro de Coimbrões, que, por ironia fica localizado em Canidelo e, construiu um magnífico palacete que sempre teve o seu nome e que fica envolto numa imensa "floresta", talvez a mais densa zona arborizada do concelho de Gaia e também uma das de maior grandeza. O Palacete acabou por se degradar por abandono e o resto lá está. Pode ver-se no google, junto ao rio, na foz do douro, na zona junto ao cabedelo.
Manoel Marques Gomes foi para o Brasil ainda muito jovem, a expensas e por favor de uma senhora amiga que lhe pagou a viagem. Lá, ocupou cargos importantes, além de ter constituído a sua própria firma, ou firmas (?) graças aos quais fez uma fortuna invejável.
O seu busto estava colocado junto do campo de futebol do Sport Club de Canidelo, mas, devido à construção de uma rotunda no local, foi retirado e ainda não foi reposto. Está de facto demorada a sua recolocação naquele local, onde estava e para onde foi inicialmente concebido. Desconhece-se o seu paradeiro.
by majosilveiro

Consulte
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_de_Marques_Gomes
http://www.canidelo.net/patrim2.htm
http://www.50espacos.campoaberto.org/espacos/lista/fichas/gaia/canidelo/65/ficha_html/ficha.html

by majosilveiro





majosilveiro




sexta-feira, 20 de agosto de 2010

FONTE DE SÃO JOÃO EM ALUMIARA DE CANIDELO - GAIA

ALMEARA OU ALUMIARA
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NO CONCELHO DE VILA NOVA DE GAIA
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FREGUESIA DE CANIDELO
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FONTE DE SÃO JOÃO



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A Fonte de São João fica situada num cantinho - o Cantinho de São João - precisamente no centro de Alumiara, à margem da estrada, Rua da Belgica, - aquela que se dirige para o lugar de Lavadores e para a Afurada e, um pouco antes da bifurcação que divide a dita para aquela vizinha freguesia.















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Fonte de S. João
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Ia buscar água com canado,
À fonte de S. João;
Não é por ser também João,
Que é tanto do agrado,
Minha mãe ter acompanhado.
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Fiquei sempre a amar,
Minha querida mãe,
E a tão dilecta fonte,
Fiquei sempre a recordar.
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O tal pequenino canado,
Ainda hoje o guardo,
Junto de meu coração.
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Era minha mãe que mo dava,
Para se ver acompanhada,
Do seu pequenino botão.
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Ia buscar água com canado,
À fonte de S. João.
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Joãodamestra

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DOS CANTINHOS NO CENTRO DE ALMEARA
que ficam próximo do fontenário;
era um autêntico rosário,
o povo que dali ia,
buscar àgua, com cantaro ou bilha,
caneco, balde ou bacia,
canado, púcaro ou jarro,
para a comida e a sua vida.
Era os anos cinquenta,
e a vida uma tormenta.
Joãodamestra
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majosilveiro


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alumiara ou Almeara em Canidelo - Vila Nova de Gaia - As Alminhas da Rua José Maria Alves


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ALUMIARA
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EM CANIDELO DE VILA NOVA DE GAIA

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Alminhas da Rua de José Maria Alves

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Ou Alminhas da assubida

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Almeara Vila Nova de Gaia





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As Alminhas de Alumiara

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São Anjos voando aos Céus,
São Anjos Cantando a Deus,
São Anjos Meu Deus, são Anjos;
Mas, faltam lá os Arcanjos.
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São Anjos, lá nas Alminhas,
Que eu vejo como minhas;
Nas Alminhas de Alumiara,
Onde criança sempre delongara.
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Estas Alminha são minhas,
Todos os dia as ia ver,
E também me comprometer,
A ser bonzinho c´oas amigas minhas.
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Ali ficava especado,
A contar todos os Anjos,
São Anjos, Meu Deus, são Anjos,
Rezava uma oração, parado.
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Rezava à avó, ao pai e à mãe,
E a todos os irmãos também,
Rezava a todos os Anjos;
São Anjos, Meu Deus, são Anjos.
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E lá ia no dia seguinte,
Pois que sempre andava por ali;
Enquanto o pai trabalhava,
Eu sempre ali me vi.
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São Anjos Voando aos Céus,
São Anjos cantando a Deus,
Nas Alminhas d´ assubida”,
Se pedia p´ra subir aos Céus.

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João da mestra








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Na minha galeria fotográfica do PANORAMIO, está inserida a Freguesia de CANIDELO - minha terra querida, com 94 fotos em 4 páginas, com este Link:
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Ali, está incluída esta, ALMINHAS DE ALUMIARA, com 4 fotografias, assim como o nicho e o prédio onde está inserida.
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* Interessante é indicar que uma das fotos teve até à presente data 234 visitas.
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Interessante é também ver alguns dos comentários que ali estão mencionados, entre eles um da Turquia e outro do Brasil e, claro, o meu, dedicado ao Exmº Senhor Presidente desta Junta de Freguesia:

majosilveiro, em October 21, 2008, disse:
Dedico esta foto ao Exmº Senhor FERNANDO ANDRADE, Presidente da Junta de Freguesia de CANIDELO-GAIA.

Beatriz Barreto Tane…, em November 22, 2009, disse:
Belíssima

arif solak, em October 17, 2008, disse:
hello ))
Welcome To İZMİR
İzmir
Greetings from Turkey, Arif
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majosilveiro






sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Centenário do nascimento de Alexandre (Queirós) Monteiro - 15 de Agosto de 1910 – 2010 - Candal e Canidelo - Gaia; Almeara, Meiral

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Centenário do nascimento
Alexandre (Queiróz) Monteiro
15 de Agosto de 1910 – 2010
Candal e Canidelo;
Fonte Lodosa, Verdinho,
Almeara, Meiral
Vila Nova de Gaia



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Alexandre (Queiróz) Monteiro, 1910 – 1989, foi o filho mais velho de uma humilde família. Nasceu no lugar do Candal da freguesia de Santa Marinha, do Concelho de Vila Nova de Gaia. Seu pai, João Queiróz Monteiro, foi Oleiro, entre, creio, 1890 e 1919. Foram Oleiros também o seu avô e bisavô.
Alexandre (Queiróz) Monteiro viveu no Candal até aos nove anos. Após a morte de seu pai é entregue aos cuidados de um tio, para que lhe ensine uma profissão. Por tal, vai morar para a cidade do Porto, para a freguesia de Massarelos, – mesmo ao lado da Igreja Paroquial.
Volta ao lugar de nascimento – o Candal – onde fica a residir com sua mãe e os seus dois irmãos mais novos, mesmo paredes meias com a antiga Capela. Emprega-se em Canidelo na profissão que aprendeu e desenvolveu. Dedica-se ao canto, experimenta aprender guitarra durante algumas lições privadas, frequenta os lugares onde pode cantar o Fado de Coimbra, a sua paixão e, chega a participar em representação daquela que é a mais bela forma de expressão – O portentoso Fado de Coimbra. Pertence ao Orfeão da Madalena como tenor durante alguns anos; crê-se que até 1938.
Casa com a Inês da Mestra, em 1938, fica a residir no Candal – Fonte Lodosa e, depois no lugar do Verdinho em Canidelo.
Em 1938 funda a sua indústria de calçado no lugar de Almeara e, passa a ser este o sítio para onde se dirige diariamente. Para esta sua aposta na vida, no seu futuro, abandona a guitarra, a música, o canto, o orfeão, e o fado de Coimbra. Muda também a sua residência para este lugar de Almeara ou Alumiara, em 1954, recordo, para a casa onde é hoje a igreja Evangélica de Alumiara. Constava na sua inscrição de actividade profissional; Indústria de Calçado – Fabricante. Calçado novo e reparação de usado. Sapataria Primeiro de Abril de Alexandre Monteiro, Rua da Bélgica em Alumiara, Canidelo, Vila Nova de Gaia.
Em 1958 muda a residência para a Casa das Mestras, sita no Paço, acima umas dezenas de metros da quinta do Paço, onde, consta, terá habitado D. Pedro e Dª Inês de Castro, hoje rua do Meiral e, consigo traz já todos os seus quatro filhos.
Cinquenta anos foram a longa vida desta sua “Grande Obra”. Os mesmos cinquenta que esteve casado com a Inês.
Faleceu em 1989.
Comemora-se o Centésimo Aniversário do seu nascimento a 15 de Agosto de 2010.
Deixou quatro descendentes a quem incutiu o gosto pela música e aos quais introduziu no ensino da mesma e de instrumentista, que, praticaram, todos, embora só os dois mais velhos tivessem concluído e, feito daí a sua vida profissional; O mais velho como instrumentista e como professor de Violino e, a imediata, como Pianista e Cantora lírica, mais tarde professora do ensino oficial.

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Contada com algum pormenor, a vida de Alexandre (Queirós) Monteiro dá um livro e, esse está concluído e entregue – o seu esboço – ao Exmº Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Canidelo, para estudo da sua publicação.
Neste livro se explanam a vida das gentes desta Freguesia de Santo André de Canidelo; a vida das populações dos lugares, lugarejos, - os seus hábitos, costumes e tradições, as profissões mais usuais daqueles lugares naquela época e, a vida dos artesãos e dos vendedores ambulantes com seus pregões, a economia e a vida social: É a historiografia da Freguesia de Canidelo entre os anos de 1900 a 1970. Após a conclusão daquele esboço, iniciei e está a ser editado neste site toda uma descrição em prosa e em verso e, em fotografia, desta freguesia, cuja mesma poderá ser para adicionar ao dito livro, o seu todo ou partes.
É mesmo, Canidelo minha terra querida. Haja vontade de deixar para os vindouros este testemunho real de como viviam as populações desta freguesia e, que seja possível mandar editar tal livro, que, contribuirá para o engrandecimento desta terra.

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Esta, foi a homenagem à pessoa que sem ajudas de qualquer espécie, sem empréstimos bancários, sem subsídios, que, até nem existiam na altura, pôs em funcionamento e manteve durante 50 anos, aquela indústria, somente pelo seu pulso, pela força do seu trabalho, numa época em que ninguém, ou muito poucos, conseguia algo. E a sua vida de árduo trabalho foi um êxito constante e sempre no sentido ascendente. Ainda hoje, passados que foram vinte e muitos anos que encerrou a dita sua empresa e da sua morte, as pessoas do lugar e da freguesia recordam com saudade e respeitam religiosamente o seu nome. Para outros, por todas estas mesmas razões, acima exaradas, foi sempre e ainda o é hoje, um grande sapo que têm que engolir; Pelo exemplo abnegado de um Homem que o soube sempre ser, de comportamento, de civismo, de trabalho, de chefe de família, de Pai. Industrial empreendedor, empresário, trabalhador independente e empregador.

Salvé 15 de Agosto de 2010
João (Queirós) Monteiro

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Eu Canto a minha vida passada
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Centenário do nascimento do patriarca da família - 15 de agosto de 1910 - 2010

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Homenagem à Família que constituiu


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Eu Canto a minha vida passada,
Eu Elevo minha mãe e meu pai,
A eles Canto e choro sem um ai,
Até à noite e desde a madrugada.
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Eu choro à lembrança da infância,
E Canto em Homenagem a meus irmãos,
Lhes devo a minha importância,
Que a deles, é a maior de todos os chãos.
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À mãe, pai e a todos os irmãos,
- Três, foi a conta que Deus fez -,
Eu choro com toda a honradez;
A trás nada volta outra vez.
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Eu Canto aos meus professores,
De piano, solfejo e violino,
Com quem nunca passei horrores;
Mas que sempre estivesse fino.
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Tocar piano com muito fervor,
Era ambição da irmã, para mim.
Entrego-lhe agora o louvor,
Embora não chegasse ao fim.
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Ao professor de violino,
O meu Canto é com gratidão,
Irmão mais velho tem sempre razão,
Muito ensinou o João;
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Comportamento, honestidade, hombridade,
Escolaridade e musicalidade.
É o irmão superior,
No saber, na vida, na idade.
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Eu choro por minha avó materna,
Foi minha mãe duas vezes,
Não conheci meus avós paternos,
Mas lhes Canto; À Família, às Raízes.
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Eu Canto a minha vida passada,
Eu choro a lembrança da infância,
Elevo meus avós, minha mãe e meu pai,
Deus meu, os guardai.
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João da mestra



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A meu pai
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Poemas e coisas mais,
Meu pai sempre escreveu,
Pudesse eu lembrar que, iria recordar
Meu pai, ao publicar,
E ele, que orgulhoso ia ficar,
Agora que está no céu.
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Mas, que bem me recordo eu,
Desta quadra popular,
Que ele escreveu a brincar,
P´ra cliente não esquecer de pagar:
Joãoda mestra
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“Santo António que é ducado,
Diz-me, por ser amigo,
Se alguém te pedir fiado,
Manda-o… vir falar comigo.”
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Alexandre Monteiro
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Casa de Alumiara








NOSTALGIA

Chora criança, chora,
Que te faz bem o teu chorar,
Outra coisa tão boa na vida,
Não há, nem amar.

Está à mão de semear,
Por isso chora sem parar,
Ficarás deveras melhor,
Se sua Nostalgia aliviar.

Chora, copiosamente,
Pelos que amaste,
Não te inibas, chora,
Tua saúde melhora.

Chora, dilatadamente,
Pelos que gostaste.
Vergonha? De quê?
Então, não amaste?

Chora criança, chora,
Por tua mãe, por teu pai,
Por teus avós e, após,
Chora, criança, vai.

Chora pela tua meninice,
Pela tua adolescência, chora,
Chora quando te lembrares,
Do tempo da puberdade.

Chora criança, da juventude,
Que tiveste ou não tiveste,
Juventude, dura toda uma vida,
Chora toda a tua, também.

Criança, chegas-te a velho;
Se choraste enquanto criança,
Muito mais chorarás agora,
Até ires desta vida p´ra fora.

Perdeste avós, pai e mãe,
Já perdeste filhos também
E para quem ainda os tem,
Muito maior é o chorar.

Criança que chegaste a velho
E que velho ainda não és,
Perdes-te os netos também,
Só te dão pontapés.

Por isso criança chora,
Chora tu velho, também,
Velho volta a ser criança,
Ambos a Deus têm.

E Criança que é velho, chora,
Porque já ninguém o consola.


João da mestra


Afinal, quem errou na profissão?


Na minha terra havia,
hoje não sei,
não estou lá.
Mas, no país ainda há,
que, eu ainda estou cá:
Muito enfermeiro, dentista, médico ou professor,
sapateiro.
E sapateiro que sabia, ser: enfermeiro,
dentista, médico, professor e, sapateiro na profissão,
na perfeição, sem ser sapateiro.
Mas, havia doutor sapateiro , cirurgião
e muita profissão
de sapateiros.
E, muito advogado, juiz ou solicitador
que, não é doutor,
sapateiros.
E, sapateiros de profissão, que, o não são:
Sapateiro poeta, sapateiro escritor, sapateiro tenor,
sapateiro a trabalhar na perfeição,
mas, a aguentar com o nome daquilo que os outros são.
Afinal, quem errou na profissão?

Joãodamestra





terça-feira, 3 de agosto de 2010

Faróis de Navegação da Barra do Douro que são vistos de Canidelo

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Os faróis ,que, de Canidelo são visíveis *


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OS FARÓIS DA BARRA DO DOURO

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O farol da barra do Douro,

É amante da aldeia Canidelo;

De dia, não a larga de vista,

À noite, a piscar-lhe o olho,

Tem medo de perdê-lo.

>

Amor antigo, aquele,

Primeiro, só um, de granito,

Logo àquela aldeia fez o fito,

Vão séculos, de amor aflito.

>

Resistente, é pedra dura,

Pois, é pedra que perdura,

Construído à moda antiga,

Não deixa o mar o destruir,

Não cede à sua cantiga.

>

Amor de pedra, resistente,

Amor de pedra, para sempre,

Como os casais de outrora,

Que só se enamoram uma vez

E não a toda a hora.

>

Vieram novos faróis,

Vestidos de lindas cores,

Um de verde outro de vermelho,

Tentar construir amores,

Com a Vila de Canidelo.

>

Mais moderna agora, senhorita,

Vila vaidosa deixou-se ir na fita,

Ficou com três amantes à vista.

Todos lhe piscam o olho,

Nenhum se compromete com namoro.

>

São os faróis da Barra do Douro,

Três príncipes perfeitos, feitos

Cavalheiros, para menina séria e solteira,

A Vila de Santo André de Canidelo.

>

João da mestra



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ERA CEGA, SURDA E MUDA Era cega, surda e muda, em tempos remotos, a nossa costa marítima. De igual modo o era a costa marítima compreendida no espaço correspondente a esta nossa Vila Nova de Gaia, Porto, Matosinhos e, logo, a entrada da barra do Douro, por inerência. Era cega, porque, nenhuma era a visibilidade para a costa, a partir do mar, pelo facto de que não existia sinalização luminosa suficiente, ou nenhuma. Em dias de temporal, ou durante a noite, a navegação não tinha como se orientar pela absoluta falta de iluminação. Eram densas as matas ao longo da costa e para o interior e, por isso, mais escura se tornava. Anteriormente à existência de luz eléctrica menor era ainda a iluminação, por archotes ou, mais tarde a querosene. Era surda, devido a que os pedidos de socorro enviados pela navegação não eram escutados. Tanto em dias de grandes vendavais, como de chuvadas impiedosas, ou como em dias de intensos nevoeiros, não se ouviam as sirenes ou as trompas dos grandes vapores. Não existindo ainda outras formas de escutar sinais, morse, rádio, ou outros, existia um absoluto desconhecimento daquilo que se passava na navegação. Era muda, porque, também, da mesma forma, não existiam dispositivos de emissão de sons a partir de terra. Nos dias de intenso nevoeiro a que, sempre, a zona Norte estava e está sujeita, era o caos. Era o caos na navegação, sempre, devido àqueles três factores. Grande, era a dificuldade de, tanto os grandes cruzadores dos oceanos, a vapor em tempos mais remotos e, nos tempos mais modernos todos os monstros que conhecemos a navegar, como os pequenos barcos, traineiras e, mesmo os minúsculos barquinhos de pesca, de se aproximarem de terra para procurarem a entrada desta barra do Douro, considerada das mais perigosas, se não a mais perigosa do país ou mesmo da Península. Inúmeras foram as tragédias na entrada da barra do Douro, tanto, precisamente na sua embocadura, como, a pouca distância. A poucos metros para sul, devido aos enormes penedos e baixios -, bancos de areia, - a meia dúzia de metros de terra, literalmente, como, a poucos metros para norte, à vista da cidade. As populações de Canidelo, assistiram, através dos tempos, incapazes, aos encalhes de enormes embarcações, mesmo ali a um braço de distância – é uma força de expressão – mas, que, não chegava por vezes, a vinte ou trinta metros. Contava-me meu pai que, certo navio encalhou, onde sempre no mesmo local havia aquelas enormes tragédias, um enorme navio. Nunca mais se conseguiu livrar daquela situação de prisioneiro pelo fundo ficar. Nem a esperada maré cheia o safou. Era violento o temporal, com vendaval e chuva do pior que se pode imaginar. Chegaram socorros do lado de Canidelo, que se estabeleceram no Cabedelo e no promontório. Bombeiros e Socorros a Náufragos tentaram passar cabo – corda – lançado por foguetes, para tentar salvar a tripulação e possíveis passageiros, mas, apesar da curtíssima distância de um palmo, mesmo, mesmo ali em cima do olhar, o vento fortíssimo não permitia que tal cabo chegasse ao navio. As altíssimas vagas de um mar em fúria, que, naquele sítio sempre está, mais a alteração provocada naquele monstro, o mar, por outro monstro, o portentoso vento, davam enormes golpes ao ilusório consistente navio. Não demorou muito, ao fim de uma tarde, no meio da aflição dos ocupantes do navio, da angústia das populações que assistiam em terra e da apoquentação dos socorristas, à vista de todos, o enorme “mostrengo” de ferro, aquela enorme montanha de “aço” preto parte-se ao meio, qual abóbora. Logo enormes vagas avançam sobre as duas metades daquele que parecia ser o mais pujante flutuador. De terra, se vêm nitidamente pessoas a serem levadas com uma rapidez e violência terríveis e a desaparecerem no meio de imensa espuma e dos destroços que são lançados. Vêm outras a subir, a trepar, pelos mastros. Ouvem-se os gritos dilacerantes daqueles que com todas as forças lutam pela sua sobrevivência. Mais os gritos angustiantes das populações que conjuntamente sofriam aquela tragédia. Tudo em simultâneo e a cobrir os potentes mas graves vozeirões daqueles Bravos Homens, que, pondo mesmo a sua vida em perigo, tentavam salvar um pessoa que fosse. De imediato as duas partes se inclinam substancialmente, deixando o inofensivo cadáver de ferro em situação mais terrível que nunca, com as Criaturas que até ali o dominavam, em situação absolutamente perdida. Ficou ali aquela abantesma inerte, morta, acabada; aquela besta que não suportou aquele sopro do gigante adamastor nem aquela onda mais alterada do gigante mar, qual larilas franganote que nem tão pouco soube proteger aquelas inocentes pessoas que, tão heroicamente lutaram pela sua vida. Tudo de rompante se transformou em silêncio sepulcral. De imediato se deixaram de ouvir gritos, vozes, ordens, choros, qualquer som humano. Até parece que o mar ficou mais calmo, o vento se dissipou, a chuva impiedosa passou. Até as ondas parece que deixaram de fustigar o monstro destruído. Tudo morreu, uns fisicamente – os Valentes sofredores que ainda vivem nas nossas memórias -, outros morreram de alma, de animo, aqueles que ali tentaram pela força dos braços uns e, pela força das Orações outros, salvar aquela tripulação e passageiros. E só passaram alguns segundos que pareceram dias, meses, anos, uma eternidade. Alguns foram, os casos semelhantes a este, que o meu pai me narrou, neste mesmo local da entrada da barra do Impetuoso Douro. Estão descritos inúmeros casos de tragédias na costa marítima, na nossa querida Vila Nova de Gaia, principalmente em Canidelo. Foram muitas as dezenas de navios, de maior ou menor porte que sofreram a impiedade da fúria do mar. Foram já muitas centenas as vítimas mortais. Porque foi de muito criança que o meu pai me narrou este e outros casos, é constante esta recordação que em mim permanece. Escreve-la PRETENDE SER, até certo ponto, para além de o dar a conhecer aos mais novos, uma HOMENAGEM a todos quantos ali perderam a sua vida de uma forma Horrenda, a todos quantos, da população, ali sofreram incapazes de, perante tal agressão da natureza, fazerem algo com suas mãos e, a todos quanto de Bravos, Homens, que, fizeram parte de Corporações de Socorro. Passaram-se já alguns anos desde as últimas tragédias, dezenas de anos sobre outras e, mesmo séculos de outras ainda, mas, o Povo tem memória e, está em permanente Oração. Eu lanço um grito da angústia, de alerta, de revolta, porque, nenhum monumento existe no local, na parte de Gaia, a estas vítimas; nem monumento religioso nem outro. Nem uma simples Cruz, como se usava, nem umas simples Alminhas, nem qualquer. Lembro a esta Junta de Freguesia e a esta Câmara Municipal, que tenham a sensibilidade de HOMENAGEAR aquelas vítimas mortais e não só; que tornem uma realidade esta pretensão, que, pelo certo não será só minha. João da mestra

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