quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cemitério da Freguesia e Paróquia de Santo André de Canidelo - Vila Nova de Gaia





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A TEIA DA VIDA

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Roda que roda,
E volta a rodar,
É a roda da vida,
Que nos não deixa parar.

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Gira que gira,
E volta a girar,
Os desgostos da vida,
Nos põe a chorar.

>
Teia que teia,
E volta a tear,
Este mundo é uma teia,
Para a vida nos caçar.

>
Este mundo é uma teia,
Que nos não deixa parar,
Com tantos desgostos na vida,
Constante nos põe a chorar,
Até a morte nos caçar.
>
João da mestra











*
AQUI JAZ, DESCANSA EM PAZ
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Naquele mundo, nasci nu,
E dele, parti bem vestido,
Não pendurado em cruz,
Mas em caixote, revestido.
>
Vida na terra, tive uma passagem,
Uma rápida miragem;
Não morri, me transformei,
Quando vivi, tudo abandonei.
>
Parti sem avisar,
Deixei amada a chorar,
Repouso eternamente,
Estou feliz, felizmente.
>
Aqui jaz,
Descansa em paz,
Demónio na terra, santo no Céu,
Lá, o diabo fui eu, eu sei,
Tanto escrevi, que, todos desesperei,
A todos fiz sofrer, mas, a todos amei.
>
Fui chamado a partir,
Fiz a passagem p´ro infinito;
Agora nos Reinos Eternos,
Continuo a escrever e a rir,
P´rós meus familiares queridos,
P´rós meus queridos amigos.
>
Meu Espírito ficará, toda a Eternidade,
Ao vosso lado, em boa verdade.
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João da mestra











ESPECTRO DA MORTE A BAILAR
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Espreita o espectro da morte.
Não quero.
Que Deus me dê melhor sorte.
Impropério?

Porque tenho de morrer,
Se eu gosto de viver?
Afasta-te espectro tenebroso,
Que me pões demasiado nervoso.

Morte! Porque me queres contigo,
Se eu não te levo comigo?
Afasta-te, vai,
Eu fico; Assim quer o Pai.

Espectro da morte a bailar,
Logo pela manhã ao acordar,
Na mente, diariamente,
Sempre, sempre, constantemente.

Mas, porque me persegues assim,
Se eu não te quero em mim?
Vai, vai, sai de mim,
Ficarei só, até ao fim.
*
João da mestra



















APÓS ESTAR MORTO

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Quem não me estima agora,
Nem pense em qualquer hora,
Após a minha morte,
Ir ao funeral e acompanhar-me ao “resorte”,
Nem em nenhuma ocasião,
Ir à missa p´ra fazer-me oração.
>
Se neste mundo não são leais,
Como será essa oração depois?
Se vivem agora com ódio,
É por estar morto que me põe num pódio?
>
Não, não quero oração,
De quem agora não tem coração.
>
Não, não quero missa,
De quem agora me comete injustiça.
>
Não, não quero flores,
De quem agora me dá dissabores.
>
Não pense ir a meu funeral,
Quem agora não se julga igual.
>
Não pense em missa me rezar
Quem agora só me deseja azar.
>
Não pense em levar-me flores,
Quem por mim não morre de amores.
>
Uma simples impostorice,
Após eu estar morto,
É uma grande canalhice.

>
João da mestra








MISSIVA DO REI SVENOVITCH À IMPERADORA DE OUTRO REINO

>
Fica Vossa Senhoria impedida,
E os mais do Vosso Império,
De me irem ver quando eu morrer,
Pois, eu é que nem vos quero ver!
>
Nem flor tende a ousadia de enviar,
Por qualquer paspalho vosso lacaio;
Darei ordens ao meu aio,
Proibir-vos manifestações de pesar.
>
Já que na Terra impera o cinismo,
O abandono ao Rei do vosso trono,
Porque sou o homem velho do Império,
Serem hipócritas, é depois um impropério.
>
Amor, gostava eu de sentir hoje,
E não desprezo pela vossa parte,
Que com todo o engenho e arte,
Vossa senhoria, ao vosso senhor inflige.
>
Agora, aquilo que é meu desejo;
Quero estar morto e descansado,
Não quero depois a meu lado,
Hipócrita de subordinado.
>
Nem, também, muito lamento,
Chorar de arrependimento,
Quando, agora, neste momento,
Me trata mal que nem a jumento;
>
Acusações de centenas de acções,
Que comete e que depois remete,
Ser Vosso Rei o ocasionador,
Não lhe abonando o seu valor.
>
Depois de morrer, não me interessa flor,
Nem o choro hipócrita de qualquer estupor.
E todos se deveriam pautar,
Para nesta vida saberem amar.

>
João da mestra
















ALMA MINHA QUE TE PARTISTE

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Hó! Flor minha das serranias,
Hó! Flor adorada e silvestre,
Hó! Amada minha, campestre
Amorosa, flor agreste:
>
Terminou a Primavera,
O que vai ser de mim?
Alma minha que te partiste.
>
Como a minha vida é amorosa,
Aqui neste paraíso,
Mas, eu não ganho juízo;
>
Não vejo o dia de morrer,
P´ra minha alma contigo ir ter.
Não vejo o dia de partir,
Para junto de ti ir.
Tua alma quero conquistar,
Para te poder amar.
>
Eu já estou a desesperar,
Por tanto tempo aguardar,
Por aquele dia em que sonhei;
Que serras e montanhas atravessei,
E te fui encontrar,
Em boa vida a desfrutar.
>
Sonhei, meu amor que te vi,
Numa aldeia algures aí,
Entre nuvens celestiais,
Tu, entre almas, muitas mais;
Seria visão do amor e nada mais?
>
Estavas tão bela, alma nua,
Entre nuas, qual alma lua,
Com formas arredondadas, as tuas,
Tantas almas, tantas luas.
>
Teus longos sedosos e brancos cabelos,
Brancos seios e alma encobriam.
Para a frente penteados e puxados,
A alma não te despiam;
>
Tua linda boca de lábios escarlate, cerrados,
Não transmitiu qualquer reflexão,
E haveria para tal, razão?
>
Mas, gostaria de os ter visto pronunciar,
A tão amorosa palavra do verbo amar.
>
Cerrados ficaram teus lábios,
Conforme cerrada ficou tua alma,
E mais ainda, está teu coração.
>
Abrem-se agora os da miseração,
Para te declarar,
Com muita paz d´alma,
Que a minha, à tua alma se quer juntar.
>
Teus maviosos olhos azuis me viram ao longe,
Como almas d´águias vêm as suas presas,
Há! Mas que sonho este, tantas surpresas,
E logo eu que estou tão distante.
>
E tu alma d´ águia, não me discernes?
Não me vês?
Vá lá, tenta mais uma vez.
>
Mas, porquê desta forma advéns?
Para melhor me agradares?
Para muito eu te amar?
Vieste por acaso ao mundo, nua,
Ou és ser da longínqua nua lua?
>
Oh! Não! Despertei deste fascinante sonho,
Voltou minha alma à terra das almas;
Ressuscitei, uma vez ter morrido.
Tudo aconteceu em um instante,
Fui e voltei deslumbrante.
>
E tu onde estás, Alma minha que te partiste?
Alma minha da flor das serranias:
HÁ! Afinal…, não existias!

>
majosilveiro







Aquele que me ama me siga

>
Um dia,
quando eu morrer,
eu quererei continuar
a procurar saber,
da minha amiga,
do meu amigo.

>
E, vou também querer
estar consigo,
para festejar,
para comemorar,
este dia,
que estamos a viver.

>
Então,
à porta dos céus,
terás que bater
e, se não quiseres lá ficar,
terás que me mandar chamar.

>
S. Pedro não é intrometido,
mas, vai querer estar contigo;
se estiveres preparado, podes ficar,
se não, à terra terás que voltar.
>
Agora, vais ter que escolher,
se queres ficar no céu,
em companhia comigo
e morrer,
ou se preferes perder-me de vista
e viver.

>
Joãodamestra





majosilveiro


domingo, 7 de novembro de 2010

CASA DO PAÇO DE CANIDELO EM VILA NOVA DE GAIA

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CASA E QUINTA DO PAÇO EM CANIDELO



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Eu Canto ao Rei D. Pedro I,
E a sua Dama Inês de Castro,
Escolheram Canidelo para amar;
Loucos amaram naquele "Astro".


ENCHERTO DO POEMA TERRAS DO LITORAL DE JOÃO DA MESTRA









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Os amores de D. Pedro e Inês de Castro

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De Castro era a Inês,
Que habitou certa vez,
Na Villa de Canydello,
Elevada depois a Concelho.
>
Lá no cimo daquela Chã,
Mais bonita Villa não há,
Onde D. Pedro escondeu,
Seu amor que Deus lhe deu.
>
Foi na casa e quinta do Paço,
Que D. Pedro e Dª Inês,
Fizeram o seu palácio;
Foragidos com altivez.
>
Ali viveram felizes,
Em casarão com capela,
Durante anos, vida aquela,
De grande amor mas em lapela.
>
Inês partiu, de terra minha,
Para Convento em Coimbra;
Depois de morta foi Rainha,
Onde é venerada ainda.
>

João da mestra






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Casa e quinta do Paço ficam situados ao lado da Igreja de Santo André de Canidelo e do cemitério da freguesia de Canidelo, respectivamente.
São de propriedade privada, que, as mantêm bem conservadas, estimadas e dignas dos tempos em que foi a residência, embora por poucos anos, de D. Pedro e de Dª Inês de Castro, quando, por amores ilícitos, ali se esconderam.
A casa mantém a sua traça desde há muitos anos, inalterada, dando a entender que se mantém desta forma há muitos séculos. Conheço esta casa desde que me conheço a mim e, sempre a vi como um monumento que muito dignifica, que engrandece, esta freguesia.
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A quinta, essa, foi já diminuída no seu perímetro, visto que os proprietários cederam terreno, já por duas vezes, para o cemitério que lhe está adjacente. Aliás, o tamanho que tem hoje o cemitério da nossa freguesia deve-se á dádiva da área de mais do dobro do tamanho que tinha inicialmente. Esta quinta sempre a vi bem tratada, devendo até ser um exemplo para muitas que se deveriam pautar.
Monumento a conservar conforme até aqui, para a dignidade da nossa freguesia.
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João da mestra


































majosilveiro



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AGRICULTURA E PAISAGEM QUE, AGRICULTURA NÃO É SÓ PAISAGEM, EM CANIDELO DE VILA NOVA DE GAIA



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Em Canidelo, agricultura não é paisagem,
nem tão-pouco uma miragem.



AGRICULTURA E PAISAGEM
>
AGRICULTURA NÃO É SÓ PAISAGEM,
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EM CANIDELO DE VILA NOVA DE GAIA
>
Lavoura, cultivo, lavra, termos usados também em Canidelo para o que se referia ao amanho das terras, que, "agricultura" usada na "quinta agrícola" são termos mais modernos.
Hoje, agricultura pelo país, é mais paisagem do que de facto realidade.
Em Canidelo, Vila que não se pode considerar já de agrícola, em alguns casos e em alguns lugares a agricultura é ainda uma realidade. Conforme desde épocas medievais o foi.
Noutros lugares de Canidelo, onde deixaram morrer esta forma ancestral de criar riqueza através das terras, do seu cultivo, da sua lavra, é de facto uma paisagem e nada mais do que isso, a agricultura.
Confuso?
Tal e qual é também confuso o facto de se deixarem terras ao abandono, propriedades ao abandono, terrenos que eram produtivos e que agora estão a criar silvados e, a importarem-se os produtos agrícolas do estrangeiro, levando á decadência primeiro daqueles que daquelas formas de trabalho – a agricultura – viviam e depois, de todo um sistema e do próprio país.

Antigo caminho pedestre entre matas. De serventia das populações, para zonas agrícolas. Hoje desbastadas pela construção


A quinta e o moinho sempre juntos


Moinho a vento, estrutura de época remota.

Antiga casa de lavoura familiar.


Centro urbano e zonas de cultivo em efectividade


Centro urbano.


Zona agrícola e ao fundo centro antigo.



Torre da igreja e centro mais antigo da freguesia. Ao fundo o mar.
O lavradio dá-se bem com a nova Vila


Agricultura que não é só paisagem. Aqui produz-se.









Uma quinta agrícola que o era. E que bem organizada e produtiva.



Cultivo ou lavradio, que, deixou de o ser. Aqui somente é paisagem.


O desbaste da “grande Austrália” deu lugar a uma exploração de pedra – pedreira - durante mais de cinquenta anos e, por fim a aterro, o correspondente àquela e, a construção civil o que ainda restava. Das “Austrálias” – lugar assim denominado – nada sobrou.

Antigas quintas agrícolas deram lugar a zonas privadas de lazer.





Dominavam vastas áreas de pinheirais, que, deram lugar à construção.


Novos edifícios numa terra que desde tempos imemoriais foi agrícola.


Agricultura de subsistência. Ao fundo o centro mais moderno da freguesia.
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majosilveiro apresenta-lhe, até final deste blogue, a maravilhosa Vila de CANIDELO e, passeia-o por toda a marginal marítima e do rio Douro.
Suas belas paisagens, suas belíssimas praias, toda a sua vida em tempo de férias e de veraneio e mesmo nas outras Estações do Ano, assim como a sua Reserva Natural de Aves, seus passadiços pela costa marítima ao longo de 15 Km para deliciosos passeios pedonais, estão aqui apresentados.
Ao longo de 32 páginas o leitor delicie-se e, no final faça as malas, pegue na sua Caravana, Autocaravana, automóvel, bicicleta, ou, de Avião para o aeroporto do Porto, venha.
Dirija-se para aqui:
41° 7' 15.22" N 8° 39' 40.17" W
mas, venha já, desfrutar deste fantástico clima numa Vila e num país à beira-mar - plantado, que, tem oitocentos anos de História.
Esta pequena Vila de Canidelo é marginada pelo Internacional Rio Douro, junto à sua Foz e, pelo Oceano Atlântico.
Fica situada no Concelho da Cidade Vila Nova de Gaia, no Distrito do Porto em Portugal.
Visite o Rio Douro e toda a sua espectacular milenária marginal, assim como os seus milenários ou centenários monumentos das cidades de Gaia e do Porto.
Visite as Ribeiras de Gaia e Porto, a Ponte de D.Luiz I e de Dª Maria Pia, que, são construções de Gustavo Eiffel e da sua escola. Vá às Caves de Vinho do Porto fazer uma degustação daquele espirituoso e "divinal" vinho. Suba no recentemente construído teleférico até à Serra do Pilar e admire a majestosa e mais bela paisagem que alguma vez viu, sobre as duas cidades. Você parecerá que está nas nuvens ou, estará mesmo nas nuvens!
No final de ver este Blogue e todas as suas fotos, veja também os sítios abaixo e, jamais ficará com qualquer dúvida: