/
/
/
/
/ 
A primeira bomba de gasolina (assim a denominávamos na terra) e estação de Serviço que, foi instalada na aldeia de Canidelo. Decorreria o ano de mil novecentos e sessenta (?), aproximadamente e, tinha a marca SACOR.
/
/*
O BURRO – (o burro do sete sêmeas)
/
Lá na minha terra havia um burro,
Que zurrava, zurrava, zurrava,
Sem nunca acabar, de findar, de terminar,
De zurrar, de zurrar, de zurrar.
/
Eu sei o que ele queria dizer,
Que estudei a língua de burro,
Mas não urro, não urro, não urro,
Porque nunca fui, nem sou burro.
/
Apesar de muitos mo chamarem,
Que o eram eles, sem o serem,
Que através dos tempos sempre o foram,
A mim, que nunca o fui.
/
E se urrar não sei,
E burro nunca fui,
Também nunca urrei, nunca urrei,
E outros que, não burros, sempre urraram.
/
E disto me lembrei,
Pr´a demonstrar que sei,
Colocar os verbos nos tempos;
Não sou burro e não serei.
/
Mas, há muitos burros por aí,
Dos outros; alguns que não aprenderam,
Nunca souberam nem quiseram,
E chamam de burros aos outros e, ao burro.
/
O burro zurrava, zurrava, zurrava,
Todos os dias às seis da tarde,
P´ra dar ordem de saída,
Dos trabalhadores, desgastados da lida.
/
Pois ele estava-lhes a dizer,
Ao zurrar, zurrar, zurrar,
Que nada fazia, ficava a ver,
Todos os dias eles a trabalhar.
/
Dizia: – Eu que sou burro fico em casa,
- A zurrar, a zurrar, a zurrar,
- Afinal quem é o burro?
- Não sabem que é o meu cantar?
/
João da mestra
/
História de ficção e verídica, em lembrança de desde menino ouvir diariamente zurrar um burro que “morava” ali, aos quatro caminhos, inicialmente nos pinhais a caminho da escola Manoel Marques Gomes, na Rua da Bélgica, Junto à Rua Cova da Bela (há cerca de cinquenta anos) e, mais tarde, junto à ilha da Varina, também na Rua da Bélgica, onde hoje se encontra a esquadra da P. S. P. – Era o burro do sete sêmeas. Se há burros que fazem falta, este é um deles, dava-nos a horas, outros nem por isso, outros nem isso nos dão, esperam que tudo lhes seja dado.
/
João da mestra
/